Sistemas e Comparativos

Planilha ou sistema de gestão de aluguel: quando trocar

7 de setembro de 202610 min de leitura

Equipe Alugo

Especialistas em Contratos e Direito Imobiliário

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Resposta rápida: quando vale trocar a planilha por um sistema

Troque a planilha por um sistema de gestão de aluguel quando pelo menos três coisas acontecem ao mesmo tempo: você administra 2 ou mais contratos com vencimento ou data de reajuste diferentes, gasta mais de 2 horas por mês cobrando, conferindo pagamento e corrigindo a planilha, e já viveu ao menos um erro que custou dinheiro, como reajuste esquecido, multa calculada errada ou um inquilino que contestou um pagamento sem você ter como provar. Com 1 imóvel, inquilino pontual e pagamento por transferência, a planilha ainda resolve. O critério certo não é gostar ou não de planilha, é comparar o custo do seu tempo e dos seus erros com a mensalidade de um sistema.

Regra prática: some quantos sinais da lista abaixo se aplicam a você. De 0 a 1, a planilha ainda aguenta. De 2 a 3, fique de olho. A partir de 4, cada mês que passa custa mais do que a mensalidade de um sistema.

Sinais de que a sua planilha de aluguel estourou

Nenhum sinal isolado obriga a trocar de ferramenta. O problema é quando vários deles se acumulam na sua rotina atual. Marque quantos descrevem o seu jeito de gerenciar aluguel hoje:

Sinais de que a planilha já não dá conta

  • Você administra 2 ou mais contratos com datas de vencimento ou de reajuste diferentes
  • Você gasta mais de 2 horas por mês só cobrando, conferindo pagamento e atualizando a planilha
  • Você já esqueceu o aniversário de reajuste de algum contrato, ou aplicou o índice errado
  • Você manda a cobrança copiando o valor à mão, contrato por contrato, por WhatsApp ou mensagem
  • Mais de uma pessoa mexe na mesma planilha, como você e o cônjuge, um sócio ou um funcionário
  • Já houve discussão de "eu já paguei" porque a planilha não tinha o comprovante ou a data certa
  • Você mora ou trabalha longe de pelo menos um dos imóveis e só sabe se pagou porque o inquilino avisa
  • O carnê-leão do mês passado foi montado às pressas, reconstruindo recibos e datas de memória
  • Já aconteceu de abrir a planilha e encontrar duas versões diferentes, uma no computador e outra no celular ou com outra pessoa

Contou 4 sinais ou mais? O problema não é falta de organização, é um processo que não cabe mais em uma planilha.

Quanto custa, em tempo e dinheiro, continuar na planilha

Para decidir com números, faça a conta com a sua realidade, não com a de outra pessoa. O exemplo abaixo é ilustrativo: substitua pelos seus próprios números.

Exemplo: um proprietário com 4 imóveis alugados gasta, em média, 10 minutos por imóvel só para mandar a cobrança e conferir se o pagamento caiu, o equivalente a 40 minutos por mês. Some o tempo de corrigir um atraso quando ele acontece, de 15 a 20 minutos entre mensagem e recálculo de multa e juros, o tempo de revisar o reajuste de cada contrato no aniversário, de 20 a 30 minutos por contrato porque exige buscar o índice acumulado dos últimos 12 meses (a [calculadora de reajuste de aluguel](/ferramentas/calculadora-reajuste-aluguel) resolve essa conta sozinha), e o tempo de fechar o carnê-leão no fim do mês. Somando essas quatro frentes, não é raro a rotina de 4 imóveis em planilha passar de 3 horas por mês. Um sistema de gestão custa a partir de R$ 29,90 por mês para 1 imóvel e R$ 59,90 por mês para até 10 imóveis no plano Pro, menos de R$ 2 por dia; veja a [tabela completa de planos](/planos). Se 3 horas do seu mês valem mais do que isso, e para a maioria das pessoas valem, a planilha já está custando mais caro que o sistema, sem contar o custo de um erro: no mesmo exemplo, um aluguel de R$ 2.500 com um reajuste de 4% esquecido representa R$ 100 por mês de receita que não volta, sozinho maior do que a mensalidade do plano Pro.

Base legal: o reajuste do aluguel segue o índice previsto no contrato (Lei 8.245/91, art. 18), com intervalo mínimo de 12 meses entre reajustes (Lei 10.192/2001, art. 2º, §1º); a revisão judicial do valor, após 3 anos de vigência, é outra coisa (art. 19 da Lei 8.245/91). Aluguel recebido de pessoa física por pessoa física entra no carnê-leão, recolhido mensalmente quando o total do mês ultrapassa a faixa de isenção da tabela progressiva do IR. Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um contador ou advogado para o seu caso.

Planilha ou sistema: comparação critério por critério

Oito critérios respondem a maior parte da dúvida. Nenhum sozinho decide, mas quanto mais colunas da direita descrevem a sua rotina atual, mais clara fica a resposta.

Planilha vs sistema de gestão, critério por critério

CritérioPlanilhaSistema de gestão
Custo mensalGratuitaA partir de R$ 29,90/mês, conforme o número de imóveis
Tempo por mêsCresce junto com o número de contratosQuase o mesmo esforço para 1 ou para 10 contratos
Erro de cálculoDepende de fórmula certa e de você lembrar do índiceReajuste calculado por contrato, com aviso no aniversário
Cobrança do inquilinoMensagem manual, valor copiado contrato a contratoBoleto ou PIX automático todo mês, com multa e juros já calculados
ReajusteVocê precisa lembrar a data e buscar o índice acumuladoSugestão de reajuste criada até 30 dias antes do aniversário
Fiscal (carnê-leão)Reconstruído à mão a partir dos recebimentos do mêsRelatório mensal pronto para carnê-leão e DIMOB
Histórico do contratoDepende de você não apagar ou sobrescrever linhaLinha do tempo de eventos por contrato, com o que já foi pago
Acesso e versõesUm arquivo só, sem controle de quem alterou o quêAcesso próprio por usuário, sem risco de sobrescrever edição alheia

Arraste para o lado para ver toda a tabela

Repare que a linha "Acesso e versões" pesa mais do que parece assim que mais de uma pessoa mexe na conta, você e um sócio, um corretor que cuida da carteira para você, ou um familiar que ajuda a cobrar. Planilha compartilhada em nuvem resolve o acesso simultâneo, mas não resolve o controle de quem mudou o quê: é comum um valor ser alterado sem querer e ninguém perceber até o mês seguinte, quando o boleto sai errado ou o inquilino paga o valor antigo.

Quando a planilha ainda é a escolha certa

Trocar de ferramenta antes da hora só troca uma rotina que já funciona por uma mensalidade que você não vai sentir falta. A planilha ainda é a melhor escolha quando:

Sinais de que a planilha ainda basta

  • Você tem 1 imóvel alugado, com contrato estável e sem previsão de comprar outro tão cedo
  • O inquilino paga pontualmente por transferência ou PIX, e conferir o extrato leva minutos por mês
  • Você mora perto do imóvel e resolve qualquer pendência pessoalmente, sem depender de mensagens
  • Você já tem uma planilha organizada, com fórmula de reajuste e de multa, e não administra imóvel de terceiros

O mesmo raciocínio vale para o corretor que administra a própria carteira de locação além de vender imóveis: enquanto forem 1 ou 2 contratos e a maior parte da renda vier de comissão de venda, uma planilha compartilhada com o proprietário já entrega transparência suficiente. O ponto de virada chega quando a carteira de locação cresce a ponto de disputar o seu tempo com a prospecção de vendas, o motivo pelo qual você virou corretor em primeiro lugar.

Como trocar de planilha para sistema sem perder o histórico

Decidiu trocar? A migração não precisa ser arriscada. Siga estes quatro passos para não perder dado nem duplicar cobrança:

Passo a passo da migração

1

Exporte a planilha atual

Deixe a planilha em uma única versão, com os dados mais recentes de cada contrato: valor vigente, vencimento, índice contratual, data-base do reajuste e o que já foi pago no ciclo atual. Essa cópia vira sua referência caso precise conferir algo depois.

2

Cadastre os contratos vigentes no sistema

Registre cada contrato em andamento com os dados do passo 1, sem recriar o contrato do zero. O erro mais comum é a data-base do reajuste: cadastrar a data errada faz o sistema perder a conta do próximo aniversário. Veja o passo a passo em [como cadastrar contrato de aluguel em andamento no sistema](/recursos/como-cadastrar-contratos-em-andamento-sistema).

3

Rode 1 mês em paralelo

No primeiro ciclo, mantenha a planilha atualizada junto com o sistema e confira se vencimento, valor de cobrança e reajuste batem. É o mês em que você pega qualquer dado cadastrado errado antes que ele vire cobrança para o inquilino.

4

Vire a chave

Depois de um ciclo sem divergência, pare de atualizar a planilha e trate o sistema como fonte única. Guarde a planilha antiga como arquivo morto, não como ferramenta de trabalho: duas fontes de verdade é exatamente o problema que você acabou de resolver.

Perguntas frequentes

Quantos imóveis são necessários para valer a pena um sistema de gestão de aluguel?

Não existe um número mágico, mas a partir de 2 contratos com vencimento ou reajuste em datas diferentes, o controle manual já exige lembrar de mais prazos do que cabe na memória. O ponto de virada real é quando o tempo gasto por mês, ou o custo de um erro, ultrapassa a mensalidade do sistema, o que para quem administra 2 imóveis ou mais costuma já ter acontecido.

Planilha de controle de aluguel ainda funciona?

Sim, para quem tem 1 imóvel com inquilino pontual e mantém a planilha em dia. O problema não é a planilha em si, é que ela registra o que você digita, mas não cobra o inquilino, não avisa a data do reajuste nem emite recibo sozinha. Ela funciona enquanto o volume e a complexidade dos contratos couberem no seu tempo disponível.

Quanto custa trocar de planilha para um sistema de gestão de aluguel?

Sistemas voltados a proprietários independentes custam a partir de R$ 29,90 por mês para 1 imóvel, com faixas de preço que sobem conforme o número de contratos (veja a tabela completa em usealugo.com.br/planos). O custo de trocar costuma ser menor do que parece quando comparado ao de um único reajuste esquecido ou de uma multa calculada errada.

Dá para importar a planilha direto para o sistema?

Não existe um importador automático que leia qualquer planilha, porque cada uma tem colunas e fórmulas diferentes. O caminho é cadastrar cada contrato vigente manualmente, com o valor atual, a data-base do reajuste e o que já foi pago, o que leva poucos minutos por contrato e evita herdar erros antigos da planilha.

Vale a pena usar um sistema mesmo administrando aluguel só para a família?

Vale, se envolve mais de um contrato ou mais de uma pessoa mexendo nos dados. O ganho não é só automação: é ter um único lugar com o histórico do contrato, o que evita discussão sobre pagamento e facilita o carnê-leão, mesmo em uma operação pequena e informal.

O próximo passo depois de decidir trocar

Se o checklist deste artigo somou 4 sinais ou mais, ou se a conta de tempo e dinheiro ficou maior do que uma mensalidade, a decisão já está tomada, falta só executar. Comece pelo passo a passo de migração acima, cadastrando um contrato por vez, e use o primeiro mês em paralelo para ganhar confiança antes de largar de vez a planilha. Se o resultado foi o contrário, poucos sinais e um único imóvel estável, guarde este artigo: releia quando comprar o segundo imóvel ou assumir o primeiro contrato de terceiro, que costuma ser exatamente o momento em que a planilha para de dar conta.

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